terça-feira, junho 13, 2006

Jovem líder divulga trabalho do Instituto de Mídia Étnica em Nova York

Michael Turner, professor do Hunter College e membro do Conselho do Pompa, e Paulo Rogério Santos.

O Instituto de Mídia Étnica nasceu em Salvador, na Bahia, com a missão de promover a inclusão de descendentes de africanos nos meios de comunicação brasileiros. Seu jovem líder e fundador, Paulo Rogério de Jesus Santos, esteve nos Estados Unidos para divulgar o trabalho da entidade e se reuniu no dia 6 de dezembro com mais de 40 convidados da BrazilFoundation em Nova York para uma palestra da série Idéias que Transformam o Brasil.

Santos espera que, por meio de programas educacionais, mudanças nas políticas públicas e a produção independente de filmes, o Instituto de Mídia Étnica possa ajudar a democratizar os meios de comunicação brasileiros, não só as maiores redes de televisão, mas também as comunidades locais. "A mídia brasileira deveria refletir a diversidade racial do país e mostrar imagens positivas da raça negra brasileira", disse. "Há uma piada popular que diz que você vê mais negros na TV da Dinamarca que na brasileira. As coisas estão começando a mudar lentamente, mas os estereótipos persistem."


Lorelei Williams, fundadora do POMPA e consultora da BrazilFoundation, e Paulo Rogério Santos.
Santos criou o Instituto de Mídia Étnica há apenas quatro meses, mas a entidade já está deixando suas marcas. Seu conselho de diretores inclui empresários proeminentes, diretores de cinema, acadêmicos e ativistas da comunidade negra. O instituto vem construindo parcerias com estações de rádio locais na Bahia, transmitiu ao vivo pela Internet as marchas organizadas em cinco locais de Salvador para celebrar o Dia Nacional da Consciência Negra e iniciou uma série de seminários sobre a influência da mídia. Santos afirma que esse é apenas o começo, sua meta é ampliar o alcance do instituto para outras cidades no Brasil e EUA.

Durante a palestra, Santos compartilhou suas experiências como estudante do Projeto Mentes e Portas Abertas (Pompa), fonte de inspiração para o lançamento do instituto. O Pompa prepara jovens brasileiros negros de famílias de baixa renda para o serviço público, através de seminários, um programa com mentores, assessoramento e estágios. Como estudante do Pompa, Paulo disse que obteve a preparação necessária para administrar uma organização não-governamental e adquiriu contatos valiosos - alguns dos quais o ajudaram a fundar o instituto. Por meio de um programa de estágio do Pompa em 2004, Paulo foi selecionado para trabalhar no departamento de produção da TV Bahia, canal público educacional de Salvador.


Novos e velhos amigos da BrazilFoundation
durante a palestra.
Apesar das oportunidades que teve até agora, Santos lembra das dificuldades de ser negro no Brasil. "Para o jovem negro brasileiro, mesmo com um diploma universitário é difícil encontrar emprego. Na Bahia, as ofertas de trabalho normalmente se baseiam nos contatos pessoais e familiares que você tem, não na sua capacidade ou experiência. Através do Pompa e agora do Instituto de Mídia Étnica, os jovens estão encontrando formas de seguir seus sonhos e novas oportunidades para crescer profissionalmente."

Santos foi selecionado para receber uma bolsa de estudos do Pompa patrocinada pelo Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Americanos da Universidade Columbia. Como estudante de Comunicação da Universidade Católica de Salvador, Santos já emplacou artigos sobre a comunidade negra brasileira e mídia étnica em várias publicações nacionais e internacionais.

Durante sua visita a Nova York, ele também fez uma palestra na Universidade Columbia e foi homenageado em uma recepção na casa do vice-cônsul brasileiro, Ewerton Oliveira.